Inteligência artificial e varejo: 5 aplicações práticas e desafios do setor

Inteligência artificial e varejo: 5 aplicações práticas e desafios do setor

Inteligência artificial e varejo: 5 aplicações práticas e desafios do setor

 
Por: Rodrigo Cunha, Head of NeuroLake at Neurotech
 

Recentemente, fui convidado para o evento O Varejo Encontra o E-commerce, no Porto Digital, que tratou da tecnologia no varejo. Nas discussões e debates, falei sobre como a área de inovação na Neurotech tem trabalhado para fazer com que a Inteligência Artificial (IA) ajude os varejistas nessa jornada pelo universo das vendas on-line, do big data, da estratégia on-line e da jornada do consumidor. Como acredito que IA estará por todas as partes na nossas vidas e que há uma corrida para descoberta do ouro, resolvi escrever um pouco sobre os desafios desse setor e fazer uma lista com 5 aplicações práticas — e atuais — de inteligência artificial.

No evento, um dos pontos que foram levantados foi como os empreendedores de todos os portes precisam ficar atentos à IA e outras tecnologias, como internet das coisas, realidade virtual e realidade aumentada. Mas, sem querer “puxar sardinha” para a inteligência artificial, é ela quem lidera essa revolução. E não sou só eu quem diz. Segundo a recente pesquisa Notes From The AI Frontier, do Mckinsey Global Institute (MGI), o varejo está no “Top 3” das áreas que podem ser mais beneficiadas com IA em relação a outras tecnologias. Com base na observação do valor que a AI já gera e no potencial futuro, os pesquisadores do MGI indicam que a inteligência artificial pode gerar um impacto positivo de US$ 800 bilhões na receita do varejo mundial.

Isso ocorre principalmente por causa da cadeia de marketing e vendas, a mais sensível aos avanços da IA. E o varejo é um “heavy user” desses recursos, devido ao contato direto com o consumidor. Veja no gráfico abaixo:

Basta ver casos como a da Amazon, do Magazine Luiza, das Americanas. Portais que antes eram varejistas “convencionais”, se tornaram grandes marketplaces, um infinito “shopping” por onde um volume enorme de empresas e pessoas vendem suas mercadorias. Eles têm algo muito poderoso: uma inteligente e rentável máquina de vendas. Isso traz uma série de vantagens para quem realmente tem o produto, porque os marketplaces têm um número gigantesco de clientes que vão fornecendo um imenso volume de dados sobre si mesmos, sobre suas preferências, suas compras. Tudo isso é transformado em informações que baseiam ações de relacionamento, branding, marketing e vendas.

Claro, isso só será possível com uso intensivo de tecnologia, especialmente inteligência artificial, com recursos sobre os quais vou falar agora.

5 aplicações práticas de inteligência artificial no varejo para você começar a desenvolver agora

Baseado em casos como os que citei e nas centenas de clientes que interagimos no nosso dia a dia, selecionamos as 5 maiores aplicações de inteligência artificial que rodam no varejo brasileiro atualmente.

  • Aquisição de novos clientes

Uso de técnicas de IA para personalização de perfil dos clientes por meio de personas e análise de clustering para definir o perfil dos novos clientes — aqueles que têm maior aderência com o produto e serviço. Assim, é possível não só aumentar a eficiência na aquisição de novos clientes, mas prevenir a perda de clientes antigos (processo também conhecido por churn).

Na Neurotech, temos um case recente. Uma grande indústria estava preocupada com a saída de um determinado produto — vamos chamar de Produto X — e acreditava que a solução do problema estava nos canais de vendas, ou seja, em seus parceiros varejistas. E estava mesmo. Com base nos dados do varejista, nossa solução mapeou os consumidores que já compravam o Produto X e procurou os clientes com perfil semelhante e que mais tinham tendência a comprar o Produto X, para que pudessem receber informações e promoções específicas. Tiro certeiro. As vendas dobraram!

  • Definição de preço e promoções

Vejo aplicações de IA bem sofisticadas usando centenas de variáveis para otimizar o preço e promoções. Como são variáveis importantes para decisão de compra do consumidor e, ao mesmo tempo, importantes para o varejista não perder margem, é fundamental monitorar a concorrência. É um acompanhamento necessário para definir o preço de forma ótima, equilibrando a concorrência e o controle da margem.

  • Otimização de peças e inventário

Temos visto muitas aplicações de IA para otimização de estoque, principalmente em centros de distribuição. E não estou falando só daqueles que recebem as mercadorias e distribuem para lojas. As próprias lojas físicas passam a ser importantes como centro de distribuição, além de oferecerem maior experiência para o consumidor (vamos falar mais disso logo abaixo).

  • Previsão de demanda

Saber quanto será vendido no mês ou na semana seguinte é fundamental para o otimização do inventário e para a estratégia de forma geral. Quem não quer um negócio com receita previsível?

Na Neurotech já tivemos experiência de relacionar, por exemplo, clima com o fluxo de loja. Ou até o trânsito na cidade com a demanda por produtos. Enfim, um grande conjunto de variáveis externas para prever a demanda tem sido bastante aplicado no Brasil.

  • Integração de mídias e canais

Essa integração se dá pelo atendimento aos clientes via chatbot, usando o processamento de linguagem natural (PLN) em uma plataforma, que pode ser o Facebook Messenger, o Telegram, WhatsApp, site, etc. No mercado americano já é uma realidade e no Brasil é uma prática que cresce de forma bastante acelerada.

Varejo 4.0: integração do offline com o on-line

No evento que participei, as conversas também mostraram como a integração entre on-line e off-line, o chamado Varejo 4.0, pode ser o melhor caminho em um momento de avanço acelerado da tecnologia de fechamento em massa de lojas físicas no mundo todo. Para nós, que temos discutido esse assunto na Neurotech, é muito importante que os varejistas estejam não só atentos à tecnologia que oferecemos, mas também a como eles conduzem a integração entre as vendas off-line e on-line.

O desafio é grande, mas essa convergência entre as lojas físicas e as lojas virtuais parece ser extremamente necessária. Os varejistas estão buscando esse caminho, cuidando não só da tecnologia e das vendas nos canais digitais, mas também da experiência que o consumidor tem na loja. Isso desde o serviço que é prestado até o envolvimento com a marca em eventos presenciais e ações “físicas” personalizadas.

Mesmo a experiência básica ainda conta. É muito comum que o consumidor hoje faça a compra on-line e visite a loja física só para experimentar, para manusear o produto. Por exemplo, eu mesmo comprei uma nova geladeira este ano (depois de 10 anos) e minha experiência foi bem diferente da primeira vez. Nesta nova compra, fui até ao shopping depois de pesquisar na internet: eu já estava com uma ideia das características que eu gostaria (tamanho, cor, funcionalidade). Ao chegar na loja, confirmei duas impressões: 1 - A internet tem mais informações técnicas da geladeira do que o próprio vendedor (nas perguntas técnicas, o próprio vendedor acessa a internet para verificar); 2 - O preço do produto é mais barato na internet do que na loja física.

Para que então ir até a loja? No meu caso, experiência. Eu não compraria um equipamento do preço e da importância cotidiana de uma geladeira sem ter a experiência. Tanto é que, nas minhas consultas prévias na internet, saí com uma ideia de geladeira mas, ao vivo, mudei totalmente para outro modelo. Mas, no fim das contas, a compra, claro, foi feita on-line, no mesmo dia à noite, em casa, depois de pesquisar o preço e o prazo de entrega adequado.

Esses são apenas alguns exemplos de como o varejo precisará mudar e se readequar. Como você está cuidando da sua transformação?